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PARADA DA INDEPENDÊNCIA

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setembro 6th, 2009 Posted 2:10 AM

A mãe para o fluxo incessante das memórias dos seus anos de internato, independente do chá de laranjeira a arrastá-la em torvelinho para o pó do giz e o álcool do mimeógrafo. A maçaneta para de levar quem se habilite ao cômodo contíguo, independente de ser ou não este outro cômodo o cenário dos enredos que fascinam. O caqui para de se abrir em seiva doce e reluzente, independente da ressequida goela dos colonos. O instinto de sobrevivência para a imobilidade aleijante, independente de todos os esforços para que nenhum esforço se faça em qualquer sentido que seja. Os segredos maçônicos param de ser segredos e vazam dos iniciados, independente do empenho dos Grão-Mestres em detê-los. Dirce de Oliveira Sales Camarinha para de arquitetar intrigas no seio doméstico, independente da quantia sumida da gaveta apontar como suspeito o arrimo da família, desafeto do cunhado que a nora da sua sogra batizou em Monte Alegre. A chuva para por inadimplência de São Pedro com a Sabesp, independente das inúmeras tentativas de negociação do débito para evitar o corte. O moço que todos juram que é irmão do Wando para de chutar nos testes de múltipla escolha, independente do seu QI recomendar o chute em 100% das ocasiões. A girafa do zoológico de Michael Jackson para de dormir de pé, independente do fato contrariar frontalmente a natureza das girafas. O Rio de Janeiro para na Rocinha de ser lindo, independente da música desde 1969 vir insistindo no contrário. O dono do celular pré-pago para de dar crédito às ofertas da operadora, independente das tarifas imperdíveis e do saldo da promoção “Recarga Premiada”. O santo para de atender os pedidos do dia, independente da urgência do devoto. O carrinho da montanha russa para no meio da descida, independente da força da gravidade funcionar regularmente. O relógio para de marcar os minutos, independente do ponteiro das horas obedecer à trajetória original de fábrica. A megasena para de acumular, independente do último sorteio não ter contemplado ninguém. A vergonha na cara para de ser nenhuma e consegue ser alguma, independente de todas as tentativas, nas três esferas do poder, para que no máximo seja mínima. O Cony para no terceiro parágrafo do texto em busca de uma palavra, independente de não levar mais que oito minutos para concluir suas crônicas. O pastor alemão da polícia militar para no decorrer do desfile e defeca na frente do palanque presidencial, independente do visível constrangimento do capitão e da câmera exclusiva da Globo.

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“FELIZES PARA SEMPRE” UMA OVA!!!

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maio 17th, 2009 Posted 12:52 PM

cinderela1

O sujeito dá vida à gente, cria aquela história maravilhosa, diz que todos viveram felizes para sempre, põe um ponto final e se arranca. Nunca mais volta para ver o que aconteceu depois às suas indefesas criaturas, no mundo do faz-de-conta. Ora, quem põe filho no mundo tem responsabilidades a honrar. Como é que pode um autor se comprometer com a posteridade e colocar sua credibilidade em jogo, fadando seus personagens a um destino cor-de-rosa sem dar a eles meios para isso? Felizes para sempre, essa é boa…

Vejamos o drama do Prático, o porquinho precavido que construiu a casa de tijolos. Como o conto de fadas tinha que terminar logo, o suíno se viu forçado a correr com a obra e uma semana depois a casinha tinha infiltração, três grandes rachaduras que iam do chão ao teto e um fiscal da prefeitura todo dia batendo na porta, atormentando o proprietário por causa do Habite-se. Tão logo tomou conhecimento do infortúnio, o lobo voltou à casa e nem precisou soprar para que viesse abaixo. Em dois minutos já estava com os três leitões debaixo do braço. Pôs Cícero para engordar no chiqueiro, Heitor foi alocado nos afazeres domésticos da casa avarandada do malvado e Prático foi obrigado a travestir-se de veado e ganhar a vida com ofícios pouco familiares, entregando ao lobo todo o michê do dia. O curioso é que perante a opinião publica o lobo ainda posa de benfeitor, por ter tirado os porquinhos da indigência e dado a eles um abrigo digno. Dizem inclusive que fundou uma ONG, chamada “Lobo Bom”, que se dedica a difundir pelos reinos mais distantes os ideais da filantropia e da solidariedade.

Mas é preciso admitir que sorte pior teve a Cinderela. Antes que a tinta do original da história secasse sobre o pergaminho, começou o calvário da heroína. Horas após o suntuoso casório, quando o príncipe foi dar um cata na moça pra fazer neném, o salto do sapatinho de cristal esquerdo espatifou-se a caminho da cama, depois de patinar num resto de brigadeiro jogado ao chão por um convidado mais porco que Heitor, Prático e Cícero juntos. Além do cristal do sapato, quebrou-se também o fêmur da delicada Cinderela.

A forçada quarentena da moça, devido à cirurgia para colocação de 16 pinos na perna, obrigou o fogoso príncipe a aplacar os hormônios junto a um sem número de donzelas do reino. Sem sex-appeal aos olhos do marido, Cinderela passou a ajudar as faxineiras reais na varrição e no enceramento do salão de baile. Hoje faz doces para fora, com a abóbora que sobrou da carruagem. Tenta com seu advogado tornar sem efeito a autuação da vigilância sanitária, que após análise bacteriológica julgou a referida abóbora imprópria para consumo. Enquanto aguarda decisão judicial, diversifica sua produção com outras qualidades de doces. Só não aceita encomendas para brigadeiros, por motivos óbvios.

Estes são apenas dois exemplos, dentre muitos que poderia citar, da orfandade a que nós, personagens, estamos submetidos. Abrace, leitor amigo, a nossa causa. Não caia no conto de fadas!

Assinado,

O Patinho Feio, que voltou a ser feio após 14 gloriosos dias com jeitão de cisne.

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Encountry o Sucesso

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maio 12th, 2009 Posted 3:18 AM

Valdivino & Laudislano são um estouro nas paradas. Um sucesso talvez maior que mil estouros de boiada, coisa que nenhum dos dois viu de perto na vida, embora se proclamem cantores sertanejos como Januário & Vespertino, com seus cinturões dourados comprados numa excursão ao Mississippi. Dupla que por sua vez, a exemplo de Furacão & Hurricane, está com a agenda de shows lotada até julho de 2010 em feiras agropecuárias onde não há agricultura e muito menos pecuária. Talentos que não ficam nada a dever a Christóvão & Christino, que quase largaram a estrada com ameaça de gangrena nas pernas, fato idêntico ocorrido a Juanito & Ranulfo, por causa da compressão das calças excessivamente agarradas.

Essa maciça e inconteste consagração popular faz lembrar os trinados rouxinolescos de Joracy & Jurabel, guardiões da nossa legítima música de raiz, ainda que a única raiz que conheçam seja a raiz forte servida no restaurante japonês caríssimo que frequentam nos Jardins. Os mesmos Jardins que abrigam os empresários artísticos de Tiago & Risério, Suzano & Bebeto e Wilson José & José Wilson, reis absolutos do cancioneiro arranca-toco, sem que jamais suas caminhonetes 4×4 cabine sêxtupla tenham passado perto de um caminhão de bóias-frias. Frutos consagrados da roça como Alexandrino & Dito da Tulha, com suas taperas e ranchinhos fincados em Alphaville, suas aparições compradas nos programas de auditório e suas cotas de 48 páginas/ano de fotos no Castelo de Caras.

Nenhum outro duo, todavia, tem levado tão a sério o trabalho de preservação das tradições caipiras quanto Caio Morotti & Feliciano, cujas reboladinhas country e solinhos de banjo resgatam às novas gerações o folclore de Kentucky e Massachusetts. Ídolos que sofreram forte influência dos inimitáveis Osmar & Arsênio, dupla com apresentações-surpresa e merchandising garantidos até a edição 15 do Big Brother Brasil, aquele reality show roteirizado pela equipe de redatores da Rede Globo.

O fato é que o Olimpo da autêntica moda de viola é pródigo de estrelas. Só mesmo alguém com estrume na cabeça poderia deixar de reconhecer a contribuição decisiva de Bruna & Torrone, Aladin & Lâmpada Maravilhosa e Andrezinho & Rodrigão para o sucesso dos leilões de gado empreendidos por esse Brasil sem porteira. O caviar russo e as doses cavalares de Blue Label ali servidos de nada adiantariam sem os megashows dessa turminha rural – que verdadeiramente embala e alavanca os lances mínimos de 500 mil reais por uma colher de sopa de sêmen de zebu premiado.

Meu amigo, eu diria que esse é o lado maravilhoso da chamada globalização: o Texas fica em Pindamonhangaba e vice-versa. Dá orgulho ver os nossos jecas e matutos tornando-se tão idênticos a um farmer anglo-saxônico, ainda que só na roupitcha. Cabe a nós valorizar e levar adiante essa bandeira multicultural. Às vezes ouço falar, meio por alto, de outros nomes menos conhecidos: Tonico & Tinoco, Tião Carreiro & Pardinho, Cascatinha & Nhana, Pena Branca & Xavantinho. Confesso minha ignorância. Seriam novas duplinhas country? Se tiverem mesmo talento, logo logo estarão na TV. É esperar para ver.

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MINHA RELIGIÃO É A NATUREZA

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maio 8th, 2009 Posted 3:12 PM

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MAIS UMA

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maio 6th, 2009 Posted 3:35 PM

veja mais em www.cronicato.com.br

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1º Congresso Interestadual de Telemarketing

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maio 1st, 2009 Posted 10:01 AM

Desafios e perspectivas de um setor em vigoroso crescimento e em vias de extinção. De 23 a 27 de Julho de 2009, em Barra do Piraí – RJ.

Programação – 23/07/2009

FÓRUM DE DEBATES
Regulamentação e valorização profissional do operador de telemarketing versus lei que cria o Cadastro Estadual para Bloqueio do Recebimento de Ligações de Call Centers. Como contornar esta contradição?

PALESTRA DO DIA
O best-seller “O Segredo” e a Lei da Atração aplicados aos Call Centers e afins. O verbo vender dando sentido à vida e fundamento ao universo.

Coffe-break

MESA REDONDA
A lei que estabelece em 60 segundos o tempo máximo de espera para atendimento telefônico nos SACs.
“Um minuto de tolerância não é atendimento. É gincana, meu rei” – Depoimento de Carlinhos Girafanti, atendente em Salvador – BA.

Programação – 24/07/2009

FÓRUM DE DEBATES
Gerundismo: promovendo o controle eficaz do vício. Estaremos discutindo, debatendo, analisando e propondo alternativas para os compulsivos. Workshop com demonstração prática de casos crônicos com animadoras perspectivas de regeneração.

PALESTRA DO DIA
Crise econômica mundial: vamos fazer uma limonada com este limão. O desemprego crescente significa mais gente em casa para atender o telefone, e é preciso que o profissional do setor saiba tirar proveito desta preciosa oportunidade.

Break sem coffee (efeito da crise)

MESA REDONDA
O “tu-tu-tu” x a revolucionária tática “sim-sim-sim”: saiba porque concordando três vezes consecutivas com seus argumentos as chances de fechamento de negócio são 96% maiores.

Programação – 25/07/2009

FÓRUM DE DEBATES
O método “Vendendo pelo Cansaço” e seus 8 passos: abordagem, apresentação, explanação, argumentação, chateação, apelação, insistência e rendição.

PALESTRA DO DIA
Novas tecnologias: 72 músicas de espera inéditas para o seu negócio, incluindo “Bilu Teteia”, “A velha debaixo da cama” e aquela uma do Gonzaguinha.

Coffee-break:
Para café puro, tecle 1
Para suspirinho de padoca, tecle 2
Para bolacha com goiabinha no meio, tecle 3
Para suco aguado com sanduíche de metro de anteontem, tecle 4
Para voltar ao menu principal, tecle 5

MESA REDONDA
Profissional de telemarketing também é gente: como reclamar ao PROCON se o sujeito que atende o telefone desrespeita o seu direito de insistir.

Programação – 26/07/2009

FÓRUM DE DEBATES
Exibição de documentário sobre o call-center da Golden Selecta Minnesota Trading, que instituiu a jornada ininterrupta de 72 horas com administração intravenosa de nutrientes substituindo as pausas para refeições e, consequentemente, as posteriores necessidades fisiológicas.

PALESTRA DO DIA
Vendendo Fanta Uva como quem vende Coca-Cola: ao contrário do que se pensa, esquimós compram geladeiras. E estão ávidos por novos modelos.

Coffee-break

MESA REDONDA
Tele-assédio sexual: lidando profissionalmente com as inevitáveis “cantadas”.
Situações adversas: procedimentos a serem adotados quando o dono da linha diz que o dono da linha está pescando em Mato Grosso e só volta daqui a 3 meses.

Programação – 27/07/2009

FÓRUM DE DEBATES
Televendas com ligação tarifada: quando deixar o cliente esperando é mais negócio para a empresa.

PALESTRA DO DIA
Ocorrências extremas: mantendo a serenidade e a polidez quando o interlocutor sugere tomar bem no meio do olho de determinada parte anatômica. Descrição de um case de sucesso que terminou em casamento, com a presença e o testemunho dos nubentes.

MESA REDONDA DE ENCERRAMENTO, COM ENTREGA DOS CERTIFICADOS DE PARTICIPAÇÃO.

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PRESENTE

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abril 30th, 2009 Posted 3:42 PM

para ver mais www.cronicato.com.br

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UM PARA O OUTRO

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abril 27th, 2009 Posted 4:26 AM

marcelo

Tá certo que ele não era nenhum conhecedor profundo do moderno cinema iugoslavo. Mas ela também não era nenhuma marchand francesa especializada na fase azul de Picasso ou nas esculturas de Rodin. Tá certo que ele não era nenhum master-franqueado do Instituto Kumon, com 25 unidades só no Centro-Oeste e ótimas perspectivas de expansão. Mas ela também não tinha propriamente onde cair morta, e se tinha não sabia o número da sepultura nem o cemitério.

Tá certo que ele não era nenhum prodígio musical, capaz de assobiar as 32 sonatas de Beethoven de trás para a frente e em ordem cronológica de composição. Mas ela também não arriscava nem o “Atirei o Pau no Gato” debaixo do chuveiro e sem ninguém em casa.

Tá certo que ele não era nenhum Tom Cruise, ainda que seu convênio médico cobrisse cirurgia para correção de astigmatismo congênito em grau severo. Mas ela também era um estrago natural à prova de photoshop, e estava a léguas de distância da última colocada no Miss Birigui 1978, edição do evento especialmente pródiga em mulheres corcundas e fora do peso.

Tá certo que ele não era nenhum espertalhão pronto a dar o bote, sendo notória sua semelhança fisionômica com Mister Bean – com a diferença que este último amealhou uma montanha de dinheiro com sua cara de idiota. Mas ela também não era nenhuma megera movida a terceiras intenções, e não consta na delegacia boletim de ocorrência envolvendo seu nome.

Tá certo que ele não era nenhum iogue indiano, evoluído espiritualmente a ponto de ingerir um basculante de estrume com um sorriso nos lábios, em piedoso sacrifício pelo bem da humanidade. Mas ela também não nascera Madre Teresa de Calcutá, e trocaria sem pestanejar sua alma por um naco de quebra-queixo, desde que com bastante gengibre.

Tá certo que ele não era nenhum exemplo de autoestima, se considerarmos as três ou quatro vezes em que foi encontrado com o gás ligado e a cabeça dentro do forno, além de outras tantas em que o flagraram ouvindo a Perla no volume máximo (e no banheiro, onde o perigo é maior devido ao eco). Mas ela também não tinha motivos para nutrir por si mesma a mais remota simpatia, tanto que uma não olhava para a cara da outra quando se cruzavam no espelho.

Tá certo que eles não eram nenhum casal modelo. Ainda assim apaixonaram-se, casaram-se e previsivelmente não foram nem um pouco felizes. Mas também, antes mal acompanhados do que sós.

Marcelo Sguassabia

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